Saiba como aumentar a vida útil de suas mãos – ShredGuitarShow

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Saiba como aumentar a vida útil de suas mãos

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De tempos em tempos, algum estudante vem até mim com uma expressão ansiosa e me diz, “Eu decidi dobrar o tempo da minha rotina prática. Eu tenho conseguido alguns bons resultados, mas nas últimas semanas eu tenho sentido uma dor estranha no meu antebraço e punho. Isso é normal? Devo me preocupar? Veja a seguir…

Em suma, sim, você deve se preocupar. Se você trabalhar os músculos e tendões demais, você pode adquirir tendentes ou Síndrome do Túnel do Carpo, uma condição horrível onde o nervo médio (aquele responsável pelo modo como suas mãos tem sensações e movimentos) se comprime e não pode funcionar propriamente. Problemas assim não se resolvem sozinhos, então se você suspeita ter alguma crise nos tendões, mesmo com sintomas leves e irregulares, você deve buscar ajuda médica imediatamente e ir mais devagar em sua prática até você ouvir uma opinião de um especialista sobre qual deve ser o problema. Se você é um hipocondríaco natural, tenha em mente que existe uma diferença entre “boa e má” dor; você deve cuidar com dores e músculos travando e não fazendo o que você diz pra eles fazerem, com ligeira exaustão em suas mãos e antebraço após uma prática rotineira.

Existem maneiras de manter esse mal a distância. Como qualquer atividade física, você deve fazer um aquecimento antes de tentar qualquer coisa que vá demandar muito esforço, para que seus músculos e tendões possam alongar adequadamente. Você verá a mesma ideia em academias de musculação – levantadores de peso irão passar um bom tempo alongando antes de qualquer atividade, e quando eles finalmente vão para os exercícios eles começam de forma moderada crescendo até os mais pesados, logo protegendo seus músculos de algo súbito, distensões, etc. Com o mesmo espírito, você seria mal aconselhado a pegar a guitarra pela primeira vez após dias sem atividade e imediatamente mandar ver um “Voo do Besouro” a uma velocidade rápida. Tocar coisas que exijam velocidade e técnica apurada se tornam mais fáceis se você se preparar para isso com exercícios um pouco mais simples, começando devagar e gradualmente aumentando a velocidade.

Tudo isso se torna ainda mais importante se suas mãos estiverem em contato com o frio (atenção galera, pois o frio está chegando pra valer). Temperaturas mais frias fazem seu sangue se retrair para dentro do corpo deixando as extremidades como as mãos com o mínimo de circulação. Se seus dedos estão com uma coloração azulada, eles claramente não gostarão de fazer uma maratona de escala cromática. Você talvez deva pensar em usar luvas. Ok, isso não é lá muito rock ‘n roll, mas irá proteger suas mãos do choque súbito de mudanças de temperaturas – e elas são, afinal, as únicas mãos que você tem.

Aqui vai uma rápida anedota sobre Glenn Gould, um pianista norte americano especialista em tocar desafiadoras peças em contraponto escritas por J. S. Bach. Estas peças são intimidantes, freqüentemente com quatro melodias correndo simultaneamente, e o simples fato de tocar todas as notas corretamente é um desafio, deixando cada parte soar bem distinta das outras, mas a habilidade de Glenn em criar independência ainda é uma referência para qualquer outro pianista moderno com o mesmo repertório após ele. Antes de um concerto, este talentoso músico teria mergulhado suas mãos num balde com água fervente, alegando que isto iria aumentar a circulação, permitindo a ele tocar 30 a 40 por cento mais rápido e também tornar as pontas dos dedos mais sensíveis a diferentes níveis de dinâmica (o que, eu suponho, deve ser um dos mais importantes fatores se você escolheu o campo da música que envolve muito contraponto). Eu admito que este método não se aplica diretamente a guitarristas – os pianistas passam boa parte do tempo apertando teclas, enquanto guitarristas tem que pressionar finas cordas de aço em alta tensão, então nós precisamos de calos mais do que eles! Contudo, isso ilustra os benefícios do aquecimento que traz a circulação do sangue para suas mãos. De fato, Joe Satriani aparentemente curte colocar seus cotovelos em água quente antes de tocar. Isso pode soar um pouco estranho, mas tocar guitarra na verdade exige muito dos músculos do antebraço, então isso de certa forma faz sentido.

Lendo uma entrevista com Jack Bruce, o baixista do Cream, onde ele usava um baixo Kramer com o headstock em V e um braço de alumínio. Em uma ocasião , ele teve que tocar em um lugar muito frio e o seu baixo tinha sido armazenado em um local bem gelado. O resultado disso foi que a palma de sua mão esquerda grudou no metal atrás do braço, como se estivesse grudado na parede dum freezer, e realmente não consigo imaginar como ele conseguiu levar esse show adiante. Felizmente, braços de alumínio foram abandonados por todos os fabricantes, e não há mais perigo de encontrarmos este problema. (Em minha defesa, esta é uma história interessante e está vagamente conectada com o assunto temperatura, por isso eu quis colocá-la aqui!)

Em geral, é seguro assumir que mudanças bruscas de temperatura são um perigo e podem causar danos às suas mãos, à afinação de seus equipamentos e em alguns casos até a estrutura deles. Amplificadores valvulados, por exemplo, não gostam de serem usados a noite toda e então serem abruptamente levados para fora e jogados numa van gelada – o soquete onde as válvulas são colocadas são propensos a quebrar se forem sujeitados a bruscas mudanças climáticas. Recomenda-se aguardar alguns instantes até que as válvulas se resfriem para que se faça a remoção do amplificador até o local de transporte.

Eu particularmente já sofri os extremos disso em duas situações que me marcaram muito. Uma vez tocando no inverno em Caxias do Sul-SC tive meus dedos travados de tanto frio, não havia o que fazer a não ser tentar economizar movimentos ao máximo e tentar não expô-los às situações de risco. E em outra ocasião onde fazia um show e a instalação dos canhões de iluminação estavam muito próximos dos músicos, a minha favorita Jackson sofreu com a ação do calor e decidiu que naquela noite meus bens não iriam mais funcionar. O braço dela se curvou para traz de tal forma que não foi mais possível executar bens. Após este episódio eu reconsiderei a idéia de usar ação de cordas extremamente baixas.

Acessando aqui você pode encontrar algumas dicas de como alongar-se corretamente e após isso faça um aquecimento adequado antes de tocar. Agora é importante não confundir o aquecimento com “cansamento”! Se um músico ficar horas aquecendo antes de um show, por exemplo, ele corre o risco de cansar a musculatura antes mesmo de iniciar sua apresentação. O aquecimento deve ser moderado e durar tempo suficiente para que você possa desempenhar corretamente a atividade a qual se propõe a fazer, sem exageros por favor, faça sempre o uso do bom senso!

Só quem já passou por alguma situação parecida pode relatar o quanto isto pode ser estressante e ainda ser prejudicial ao equipamento (mãos, etc). Se você já teve alguma história curiosa relacionada à isso comente abaixo e compartilhe sua experiência!

Texto adaptado do livro “Creative Guitar 1 – Cutting-Edge Technique” de Guthrie Govan

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